Inteligência Artificial e a sua importância
A inteligência artificial (IA) já não é um cenário futurista e, afirma-se cada vez mais, como uma tecnologia estruturante na economia digital mundial. A automação de processos e a análise avançada de dados, com modelos cada vez mais detalhados e até preditivos, está a transformar sectores que vão desde a saúde, a banca, a indústria, o retalho e até a educação. São introduzidos ganhos significativos de eficiência, personalização e capacidade preditiva.
Há uma corrente de investigadores preocupados com o abdicar do pensamento por parte da comunidade em detrimento do uso generalizado da IA. Há que lhe chame um milagre, há que vaticine um “apocalipse”.
Sou defensor de que algures no meio, estará o verdadeiro impacto que a emergência da IA generativa trouxe e continuará a trazer. Ferramentas capazes de produzir texto, imagem, código e conteúdos multimédia estão a redefinir produtividade e criatividade em contexto profissional. As empresas utilizam, cada vez mais, estas soluções para apoio ao cliente, criação de documentação, análise de informação e automação de tarefas repetitivas.
A adoção de inteligência artificial levanta a todos desafios relevantes. A privacidade de dados, o enviesamento algorítmico, a transparência e o impacto no emprego exigem de nós, humanos, modelos robustos de governação e capacitação tecnológicas e um forte enquadramento regulatório e ético.
Não podemos entender a IA apenas como uma ferramenta operacional, mas como um verdadeiro ativo estratégico. As organizações que melhor conseguirem integrar a inteligência artificial de forma responsável, serão as mais preparadas para competir num mercado global orientado aos dados e à inovação contínua.
Sou defensor da ideia de que mais do que substituir as insubstituíveis capacidades humanas, a inteligência artificial poderá potenciá-las. O seu verdadeiro valor está na complementaridade e interdisciplinaridade entre a automação e a inteligência humana, que criarão novos modelos de trabalho, decisão e criação de valor.
Há, no entanto, um empecilho à evolução da IA que é o seu elevado consumo de energia e água que já está a levar alguns especialistas a vaticinar, inclusive, a diminuição e progressivo abandono desta tecnologia e da implementação de datacenters que a suportam (nos EUA já há estados que estão a criar legislação para proibir a implementação de mais datacenters no seu território), ao ritmo de proliferação atual. Em jeito de conclusão, a IA não representa apenas evolução tecnológica: representa uma mudança estrutural na forma como produzimos, decidimos, inovamos, mas também, como consumimos recursos naturais. Há que encontrar um equilíbrio forçosamente.
Autor do artigo

Fernando Belo
Coordenador científico da Formação Avançada em Cibersegurança