O papel da formação na conformidade e certificações
Durante uma auditoria ISO, é recorrente que o auditor solicite evidências documentadas das competências dos colaboradores. Entre os elementos analisados encontram‑se matrizes de competências, registos de formação, certificados e planos de reciclagem.
A questão que se coloca é: como é que a empresa consegue assegurar as competências dos colaboradores?
No entanto, nem sempre a empresa não dispõe de evidência documentada para a sustentar a resposta. Tal situação resulta numa não-conformidade por ausência de evidência de competência. Ainda que exista conhecimento prático, em auditoria apenas a competência comprovada e registada é considerada válida.
Sem um mapeamento estruturado das competências da equipa, torna‑se difícil garantir que os colaboradores estão preparados para cumprir as exigências legais, operacionais e de segurança.
Uma das principais origens de não‑conformidades em auditoria
A experiência prática em auditorias demonstra que muitas não conformidades têm uma origem comum: falhas na gestão da formação e das competências. Estas manifestam‑se de forma recorrente em diferentes referenciais normativos e contextos de avaliação. Entre os exemplos mais frequentes, destacam‑se:
- Auditorias de Segurança e Saúde no Trabalho (ISO 45001)
Identificação de colaboradores designados para funções críticas, sem evidência de formação inicial ou de reciclagem periódica, conforme exigido.
- Auditorias BRC ou outros referenciais de segurança alimentar
Colaboradores envolvidos em processos sem formação HACCP atualizada ou sem registos que comprovem a sensibilização para perigos alimentares relevantes.
- ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental
Colaboradores com impacto direto em aspetos ambientais significativos sem formação específica em procedimentos ambientais, requisitos legais aplicáveis ou controlo operacional.
- ISO 9001 – Sistema de Gestão da Qualidade
Inexistência ou desatualização da matriz de competências, ausência de critérios definidos para avaliação da competência ou falhas no registo da formação e na avaliação da sua eficácia.
Os auditores demonstram uma atenção crescente a estes aspetos. As versões mais recentes das normas reforçam de forma clara os conceitos de competência, consciência e cultura de segurança, evidenciando que a formação não deve ser encarada como um requisito meramente administrativo, mas como um elemento estrutural e determinante do sistema de gestão.
Formação como uma mais-valia
A boa notícia é que a narrativa pode ser substancialmente diferente. Empresas que investem de forma consistente em formação regular, planeada e devidamente documentada não só reduzem de forma significativa a ocorrência de não-conformidades, como frequentemente obtêm avaliações positivas em contexto de auditoria.
Uma abordagem estruturada à formação permite:
- Demonstrar conformidade com requisitos normativos e legais aplicáveis;
- Evidenciar controlo efetivo sobre processos críticos;
- Reduzir riscos operacionais, ambientais e de segurança;
- Reforçar a confiança de clientes, auditores e entidades reguladoras.
Mais do que assegurar o cumprimento dos requisitos normativos, a formação assume‑se como um indicador de maturidade e robustez do sistema de gestão, contribuindo diretamente para o seu desempenho global e sustentabilidade.
Novas exigências sobre formação
O nível de exigência regulatória tende a intensificar‑se. A entrada em vigor de novos enquadramentos legais e diretivas — como a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), bem como futura legislação em matéria de due diligence — irá reforçar significativamente o escrutínio sobre as competências internas das organizações.
Neste contexto, será cada vez mais necessário demonstrar, de forma objetiva e documentada, que:
- As equipas envolvidas em matérias de ESG dispõem de formação adequada e atualizada;
- Os responsáveis pela recolha, tratamento e report de dados não financeiros compreendem plenamente os requisitos legais e normativos aplicáveis;
- As decisões organizacionais são suportadas por conhecimento técnico interno devidamente qualificado.
Mais uma vez, impõe‑se a questão central em contexto de auditoria e supervisão regulatória: de que forma a organização evidencia a sua competência para responder a estas novas exigências?
Formação à medida
A Kiwa posiciona-se como um parceiro estratégico da conformidade. Enquanto empresa que integra auditores e técnicos especialistas nas suas equipas, a Kiwa detém um conhecimento aprofundado dos referenciais normativos e da lógica subjacente aos processos de auditoria.
Esta experiência reflete‑se diretamente na forma como são concebidos os programas de formação e estruturados os respetivos sistemas de registo e evidência.
Através da Kiwa Learning Center, as empresas podem:
- Estruturar matrizes de competências alinhadas com os requisitos das normas ISO e com as funções da empresa;
- Definir planos de formação coerentes, consistentes e plenamente auditáveis;
- Assegurar evidência objetiva de competência, de acordo com boas práticas internacionalmente reconhecidas, como as descritas na ISO 10015 – Gestão da Qualidade da Formação.
Adicionalmente, a Kiwa disponibiliza um portefólio de formações especializadas, nomeadamente em:
- Interpretação e aplicação de normas ISO (ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, entre outras);
- Formação de Auditores Internos, fundamental para a realização de auditorias internas eficazes, consistentes e alinhadas com os referenciais aplicáveis;
- Áreas críticas como qualidade, ambiente, segurança, sustentabilidade e requisitos regulatórios, importantes para a robustez dos sistemas de gestão.
Diagnóstico de Competências: preparação para auditorias
Um dos erros mais frequentes das empresas consiste em abordar a formação apenas quando a auditoria se aproxima. No entanto, uma gestão eficaz das competências deve assentar numa abordagem preventiva, sistemática e baseada no risco.
Ferramentas como o Diagnóstico de Competências, disponibilizado pela Kiwa, permitem às empresas:
- Identificar, de forma antecipada, falhas antes que estas se traduzam em não-conformidades;
- Dar prioridade a ações de formação com base em riscos reais, funções e requisitos normativos e legais;
- Preparar a empresa de forma consistente para auditorias internas, auditorias externas e inspeções por entidades reguladoras.
O resultado? Quando a auditoria ocorre, a organização dispõe de evidência estruturada, coerente e alinhada com os requisitos aplicáveis, demonstrando controlo efetivo sobre as competências internas e um elevado nível de preparação.
Formação como pilar da conformidade
A preparação para uma auditoria não se inicia nas semanas que a antecedem, mas sim muito antes, através de uma gestão consistente, estruturada e contínua das competências das pessoas.
Neste contexto, a formação deixa de ser encarada como um custo ou uma obrigação pontual e passa a assumir‑se como um pilar da conformidade, da segurança, da qualidade e do desempenho global da empresa.
Ao trabalhar com a Kiwa, as empresas contam com um parceiro que:
- Disponibiliza formação alinhada com os referenciais normativos e legais aplicáveis;
- Contribui para a estruturação de processos claros, consistentes e auditáveis;
- Apoia a implementação de sistemas de gestão robustos, capazes de demonstrar, de forma objetiva, o controlo das competências internas.
No momento da auditoria, a diferença entre a identificação de uma não-conformidade e o reconhecimento de um ponto forte reside, muitas vezes, na forma como a formação é planeada, implementada e evidenciada.