Fundo de Compensação do Trabalho: uma oportunidade para investir em formação
O desenvolvimento contínuo das competências é uma das bases para a competitividade, a resiliência e o crescimento sustentado das empresas. Neste contexto, o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) representa uma oportunidade concreta para as empresas investirem na qualificação das suas equipas, recorrendo a verbas já constituídas e sem impacto adicional no orçamento de formação.
O que é o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT)?
O Fundo de Compensação do Trabalho foi criado com o objetivo de assegurar uma reserva financeira associada aos contratos de trabalho, funcionando, numa fase inicial, como um mecanismo de apoio ao pagamento de compensações devidas aos trabalhadores em caso de cessação do contrato.
Ao longo dos últimos anos, muitas empresas acumularam saldos no FCT, resultantes de contribuições obrigatórias realizadas entre 2013 e 2023. Com a alteração do enquadramento legal, esses montantes passaram a estar disponíveis para novas finalidades, entre as quais se destaca a qualificação e a formação certificada dos trabalhadores.
O que mudou e porque existe uma oportunidade agora?
Com as alterações introduzidas ao regime do FCT, o fundo deixou de receber novas contribuições e passou a assumir um caráter fechado. No entanto, os saldos acumulados continuam a pertencer às entidades empregadoras e podem ser mobilizados para fins específicos definidos legalmente.
Entre essas finalidades, a formação profissional certificada surge como uma das opções mais estratégicas, permitindo às empresas transformar um valor já provisionado num investimento direto no desenvolvimento das suas equipas.
Este enquadramento cria uma janela de oportunidade para utilizar recursos existentes e reforçar competências críticas, responder a novas exigências regulatórias, tecnológicas e de mercado, e apoiar a evolução das empresas de forma estruturada e planeada.
Até quando pode o FCT ser utilizado?
A mobilização dos saldos do FCT para formação profissional pode ser efetuada até 31 de dezembro de 2026, de acordo com o regime atualmente em vigor. Findo este prazo, os montantes não mobilizados deixam de poder ser utilizados pela empresa para este fim.
Este fator temporal reforça a importância de um planeamento atempado, permitindo às empresas alinhar a utilização do FCT com os seus planos de formação, objetivos estratégicos e necessidades reais de qualificação.
Porque a formação é uma das aplicações mais estratégicas do FCT?
Investir em formação através do FCT oferece múltiplas vantagens para as empresas:
- Aproveitamento de verbas já constituídas, sem necessidade de reforço orçamental;
- Alinhamento com obrigações legais em matéria de formação contínua;
- Reforço de competências para a competitividade e inovação;
- Valorização dos colaboradores e das equipas, promovendo o seu desenvolvimento profissional;
- Planeamento estratégico da formação, ajustado às prioridades do negócio.
Na prática, o FCT pode apoiar ações de formação em áreas-chave como sustentabilidade, cibersegurança, segurança, máquinas e equipamentos, gestão de ativos, transformação digital ou inteligência artificial, contribuindo para uma resposta mais eficaz aos desafios atuais e futuros.
Formação certificada como fator de confiança e qualidade
Para que os custos sejam elegíveis no âmbito da mobilização do FCT, a formação deve ser certificada e ministrada por entidades devidamente acreditadas. Este requisito garante a qualidade das ações formativas, a conformidade legal do processo e a criação de valor efetivo para as organizações e os seus colaboradores.
Como avançar?
A utilização do Fundo de Compensação do Trabalho em formação deve ser encarada como uma decisão estratégica, integrada no planeamento global da empresa. Um diagnóstico adequado das necessidades, a definição de prioridades e a escolha de parceiros formativos qualificados são passos essenciais para maximizar o impacto deste investimento.
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Nota: A mobilização do FCT está sujeita ao cumprimento dos requisitos legais e regulamentares aplicáveis.